NIVELANDO A LINGUAGEM
Browser, precatório, embargos infringentes, dispepsia...
O que esses termos têm em comum?
São linguagens restritas a grupos específicos ou linguagens corporativas de áreas profissionais diferentes que exaltam o saber de alguém e asseguram uma reserva de mercado, um segredinho, que obriga ao leigo recorrer ao profissional da área específica, pagando o preço da ignorância.
Na prática, a aproximação acontece não por afinidade, mas pela falta dela.
Peguemos como exemplo a primeira palavra, hoje mais acessível em razão da necessidade (ou seria dependência?) que todos temos do computador. Às vezes temos impressão que a faculdade ou curso técnico da área de informática ensina aos estudantes que eles passarão a falar outra língua a partir do dia em que se inscreveram como discípulos daquela ciência, a qual parece uma nova religião. Em certo sentido, é mesmo o que acontece, porque ao fim do curso eles conversam melhor entre si do que com outros grupos. Uma ministração do conhecimento deles aos ignorantes passa a ter um preço e uma motivação específica: servir para ganhar. Lembro que, desde que não atue de forma imoral ou ilegal, é legítimo a cada um ter como conseguir seu ganha-pão e, quem não trabalhar também não coma.
O exemplo acima nos ajuda a compreender uma estratégia divina de aproximação e ministração. Lemos nas Escrituras Sagradas que Deus interviu em várias circunstâncias em que a linguagem era crucial para realizações grandiosas, ou seja, em ministrações que afetariam a sociedade da época e deixariam modelos de serventia para as linguagens que usamos. Vejamos.
De início percebemos que Deus foi capaz de destruir a humanidade porque o homem desenvolveu a capacidade de reter maus pensamentos em sua imaginação (Gênesis 6:5). Após o dilúvio, Deus observa que o homem continua mau, e além dos pensamentos, usa habilmente a linguagem com objetivos diversos, muitas vezes errados.
A primeira circunstância de ação divina que adotaremos nesse raciocínio é descrita em Gênesis 11, quando o Senhor desce de Seu trono e confunde a linguagem de homens que buscavam edificar uma torre, ou seus próprios nomes, com o fim de serem admirados por todos. É fácil concluir que a unidade da linguagem ali era usada para o mal e não deixou para Deus outra solução a não ser confundir a comunicação entre aqueles que antes se entendiam perfeitamente.
A segunda circunstância em que observamos uma ação de Deus sobre a linguagem é no Pentecostes, quando pessoas de várias tribos e línguas passaram a entender tudo que ministravam os seguidores de Cristo, embora estes falassem no idioma da Galiléia, conforme se vê no capítulo 2 do livro dos Atos dos apóstolos.
A diferença entre esses dois episódios se explica nas narrativas conforme o propósito. Em Gênesis 11:4 está dito que os homens usavam a mesma linguagem para edificarem seus próprios nomes e, em Atos 2:11, o que temos é que se ouvia sobre as grandezas de Deus, ou seja, seremos compreendidos por todos e abençoaremos a todos quando nos esquecermos e ministrarmos o amor do grandioso Deus em linguagem nivelada que possibilite o acesso ao próximo.
De nada adianta usarmos palavras bonitas que exaltam nossos atributos ou habilidades. A Palavra de Deus é uma espada de dois gumes, que pode dividir ou ajuntar. O melhor exemplo de linguagem frutífera e efetiva está em Jesus. Ele podia acomodar-se diante da barreira da multidão, mas escolheu descer do telhado para achegar-se ao paralítico, nivelando-se ao fraco, para falar-lhe da grandeza do poder curador de Deus.
Como sua língua impacta sua geração?
Afastando ou aproximando ?
Ela fala de você ou das grandezas de Deus?
Em suma: O que falta para esse mundo entender o que você fala ?
PS: Confesso que gostaria de conseguir escrever em linguagem ainda mais simples, para todos entenderem a grandeza de Deus.
Geraldo L. Spagno Guimarães |